segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Palmeiras 2011: Futebol Brasileiro 2011...

Estádio do Maracanã, palco da provável final da copa do mundo de 2014

Bom, sempre gostei muito de futebol, sempre admirei ver futebol, independente do time, do país, do campeonato. Mas, ano após ano, tenho acompanhado cada vez menos, gostado cada vez menos, e me decepcionado cada vez mais.
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E, na verdade, também não tenho interesse em escrever sobre isso, até porque tem gente demais escrevendo sobre futebol, e na maioria das vezes são textos mentirosos, especuladores, com apelos desesperados para conseguir leitor. São centenas de blogs espalhados por diversos sites de renome, que na maioria das vezes utiliza título de impacto só pra atrair a atenção do leitor, e, quando você vai ler, o conteúdo é banal, mal escrito, cheio de conversa fiada, que chega a cansar mais que a falta de qualidade que o futebol de hoje tem apresentado.
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Na verdade, a forma do futebol de hoje não é a melhor coisa pra se assistir; mas é a forma mais rentável que já se criou em torno desse negócio-entretenimento-esporte. Hoje, qualquer contrato é milionário, seja de um jogador, seja de um preparador físico, técnico, comentarista de tv, enfim, todos ganham um gordo salário pra dizer as mesmas coisas banais, e com um futebol apresentado de nível mediano.
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Porém, ainda insisto em algumas poucas e últimas reflexões: primeiro sobre o time do Palmeiras: é vexatório, é desastroso, é inaceitável; a administração age de forma equivocada, contratando jogadores a preços caros, sem condições de pagá-los. Depois, arruma qualquer desculpa esfarrapada para descartá-los. Além do mais, a briga interna dos dirigentes tem prejudicado demais o andamento das coisas. Foi até engraçado ver os dirigentes falarem da história do Palmeiras, que na última década não ganhou nada expressivo.
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Mas não é nada engraçado o que está acontecendo: a "HISTÓRIA" do Palmeiras está ficando esquecida, amarelada, empoeirada. Estão destruindo o que havia de bom nisso tudo, e, com certo prazer e masoquismo, as pessoas estão conseguindo acabar com o pouco que sobrou. Se não acordarem logo, vão ver a história cada vez mais distante, cada vez mais refletida no século anterior.
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Tudo bem que para a maioria dos times está difícil, mas, convenhamos, essa diretoria tem agido de forma incapaz. Incapaz de trazer títulos, de trazer profissionalismo. Claro que Ronaldinho Gaúcho não é maior que nenhum time; mas os dirigentes também não são. Claro que nem sempre esses investimentos trazem retorno dentro de campo. Por exemplo, o Corinthians fez uma boa jogada de marketing ao contratar Ronaldo Fenômeno, que sempre foi e sempre vai ser um dos melhores jogadores de todos os tempos, mas, além do marketing, os títulos esperados não vieram.
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Ou seja, nem sempre essas especulações milionárias trazem resultado. O que está faltando aos grandes times de futebol do país é apresentar revelações que realmente causem impacto. Como foi o caso do Santos, com Neymar, Robinho, Diego. No ritmo em que andam as coisas, a própria seleção brasileira enfraquecerá, pois os medalhões já não produzem mais o que deveriam, e os jogadores mais novos foram os que fizeram uma copa do mundo, no ano passado, apenas mediana. Não poderemos cobrar muito da seleção em 2014.
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Existe um bom momento aí, que é o do profissionalismo do futebol, envolvendo contratos jamais fechados antes, com cifras jamais praticadas antes. O que emperra as coisas é a falta de profissionalismo, falta de visão, falta de conhecimento administrativo. São especuladores que administram as coisas hoje; com todo o dinheiro investido, muitos jogadores poderiam ser formados para jogar em alto nível. Ao invés disso, colocam dinheiro novo em panela velha. É cansativo, lamentavel, perda de tempo.
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Poderíamos ter o melhor futebol do mundo, mas não temos, não teremos, e, o pior de tudo, é que achamos que somos muito bons. Os outros ganham por conta do acaso, por conta das brincadeiras da vida. Nós? Nós perdemos porque deixamos, porque não queremos ser sempre vencedores, porque senão não teria graça. É verdade!!! O campeonato brasileiro é o melhor do mundo, e o campeonato paulista o torneio mais disputado. Essas piadas se tornaram sem graça pra mim...

domingo, 14 de novembro de 2010

Final de Fórmula 1: uma pista sem condições de ultrapassagens

Com a final do Mundial de Fórmula 1, algumas coisas, pra mim, ficaram claras. Apesar de a Red Bull ter o melhor carro, e um piloto veloz, no caso o Vettel, que foi campeão sem direito a ninguém constestar nada de errado ou marmelada, ficou claro que esta última prova, como a maioria, foram feitas para corridas burocráticas.
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Falo isso pela dificuldade em se ultrapassar. Tanto Alonso, quanto Hamilton tentaram fazer ultrapassagens aos carros que estavam em suas frentes, mas o máximo que conseguiram foi andar fora da pista.
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Alguns pilotos têm talento extremamente diferenciados, caso de Alonso, Kubica, Hamilton. Mas isso, na hora da corrida, tem significado cada vez menos. Pois, quando você retira a capacidade de ultrapassagem, você interfere no resultado.
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Acho que os resultados das últimas temporadas foram mais influenciados pelas paradas nos boxes, e pelos acidentes e quebras dos carros, do que pelas ultrapassagens. O engraçado é que, por se tratar de uma corrida, deveria privilegiar as ultrapassagens, o talento do piloto, e não essa coisa burocrática, pois para quem assiste, acaba ficando sem graça.
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Se as únicas emoções que se têm nas corridas de fórmula 1 são o tempo gasto nos boxes, o trabalho exímio dos mecânicos, e a estratégia das equipes, quando fazem seus jogos sujos, então acho melhor não acompanhar o campeonato. A única coisa que me levou a ver as corridas foi o talento dos pilotos, a audácia.
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Bem é verdade que, após a morte de alguns pilotos, incluindo a do Senna, os dirigentes da categoria decidiram se preocupar mais com a segurança durante as provas. Mas, se for para acabar com a possibilidade de se ver um espetáculo, prefiro que a competição seja extinta da minha programação pessoal e dos meus finais de semana.
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Isso não tira o mérito do Vettel, que é de fato talentoso, mas, olhando para o campeonato como um todo, qual foi seu brilhantismo, além de andar mais rápido que o Webber, que nunca foi campeão do mundo, ou andar mais rápido que seus concorrentes nos treinos, uma vez que seu carro era de fato superior, se quando chega na corrida ninguém consegue ultrapassar ninguém?
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Ou se proporcionam mais pontos de ultrapassagem nos autódromos, ou continuaremos a ver as corridas de carros serem decididas por dirigentes de empresa, mecânicos que atuam na troca de pneus, e acidentes corriqueiros que fazem com que todos os demais carros se embaralhem. Assim, pra mim, não tem graça.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Alonso Campeão e a Ferrari novamente no topo...

Não tenho tido tempo para escrever, mas tem certas coisas que nos fazem postar algo. No início do campeonato de fórmula 01 deste ano de 2010, eu disse que apesar de a Red Bull ter um bom desempenho, o campeão já estava lançado, e seria Fernando Alonso, da Ferrari. Não por crer que a Ferrari é superior aos concorrentes Red Bull e McLaren, mas principalmente pela experiência e competência do piloto espanhol. Minha segunda opção seria Hamilton.
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Bom, o campeonato tem ainda duas provas extremamente importantes e fundamentais, e nada está decidido. E talvez ninguém leve vantagem maior sobre os demais. Mas, ainda assim, eu farei algumas observações pessoais.
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Primeiro, que a Red Bull lança o carro mais veloz pra classificação, isso é óbvio. Mas ela não tem nem estratégias bem definidas, tampouco um controle sobre seus pilotos. Eles se lançam em voltas rápidas, depois se lançam para a corrida com a mesma voracidade. Mas não com a mesma inteligência. Se tivéssem usado um pouco mais o cérebro, do que o combustível, talvez já tivéssem ganho o mundial de pilotos.
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Segundo, a McLaren, que brigou sempre pelas primeiras colocações, mas não está fazendo um ano excepcional. Possui pilotos bem acima da média, mas me parecem campeões afiados, com habilidade e inteligência, mas sem muita fome. E a fome, em uma corrida, é fundamental.
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Em terceiro, a Ferrari, que andou patinando ao longo do ano, viu Massa retornar com alguma dificuldade, não pilotando em seu melhor estilo, talvez ofuscado pela genialidade de Fernando Alonso. Esse, competitivo ao extremo, focado ao extremo, habilidoso ao extremo. Muitos o têm criticado, acredito que equivocadamente, pois corrida vence quem é o mais rápido, quem, depois de tudo que possa acontecer, chega em primeiro. Não importa se por um décimo de segundo. E isso, o espanhol tem muito claro em sua mente. Tanto, que não se preocupa com detalhes outros, que não os seus próprios que possam levá-lo ao triunfo.
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De início, escrevi que ele não se transferiria para a Ferrari à toa, tinha chegado para ser campeão. Só que a escuderia italiana, nos últimos anos, tem cometido falhas grotescas que distancia seu passado de preparação, organização e mecânica impecáveis, para ser uma equipe que altera profissionalismo com bobeiras que muitas vezes custam a perda de um campeonato.
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Mas, por fim das contas, a Ferrari tem Alonso, capaz de superar todas as dificuldades, diferenças, implicações, limitações, falhas, e estar focado em ser campeão. Se realmente ele conseguirá seu tricampeonato, só as próximas semanas poderão nos dizer. Porém, desde o início acreditei na qualidade extrema desse piloto que, dentro dessa formação de grid atual, é o mais diferenciado que há. Em um ano às vezes meio chato, às vezes meio interessante, o espanhol foi o piloto que, até aqui, conseguiu mais vitórias. Nos próximos dias teremos uma fala definitiva sobre a fórmula 1 de 2010. Até lá.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

O sabor das coisas... e a Copa está aí!



Bom, o mundo dos esportes tem dominado a atenção dos holofotes. Natural que a Copa, realizada a cada quatro anos, tenha grande destaque. Tudo pára, tudo inexiste. Podemos observar o quanto as coisas realmente são. As notícias, todo circo promovido só tem validade quando não há mais nada pra falar.
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Sempre foi assim, dá-se destaque a qualquer coisa que possa prender as pessoas à frente da televisão, de um jornal, de uma revista e, mais recentemente, do computador. Parece interessante esse alinhamento do ano de eleição política presidencial, juntamente com a Copa do Mundo.
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Enquanto os presidenciáveis vão arrumando suas melhores roupas, ensaiando seus melhores sorrisos, construindo suas aparências mais sérias e repreensivas, tudo rola pelo gramado, tudo escorre para um lugar comum, tudo é tudo ou nada ao mesmo tempo.
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Reflexões à parte, quem pode, faz negócios e lucra com a Copa, com as Eleições, com as Tragédias, pois ao final de tudo, tudo é negócio. Enquanto isso, outros buscam um espaço como ator (ou atriz), nesse circo todo armado, temos o perna de pau, temos o palhaço, o malabarista, o trapezista, enfim, temos o show.
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Os próprios estúdios de Hollywood, recordistas de público o ano todo, buscam estratégias para vender as bilheterias de cinema em período da Copa do Mundo, e promover seus atores galáticos e suas produções impecáveis, tamanho impacto que o futebol tem na economia e no dia a dia do mundo normal da maioria das pessoas.
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Enquanto isso, os políticos, uma espécie de classe artística fundamental nos cenários globais, no máximo se aquecem em seus camarins, ensaiando seus últimos e inflamados diálogos. Não dá pra emplacar um sucesso nesse período, é necessário respeito, tem-se que esperar o momento certo pra aparecer. Até o astro internacional Ahmadinejad, famoso por representar o vilão do Irã, foi colocado pra escanteio nos últimos dias.
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Se bem que tem muita gente com diálogo sem sal nem açúcar, sem tempero e sem gosto, na verdade, sosso mesmo, em qualquer época do ano, em qualquer palco, em qualquer mesa. Na verdade, acredito que muitas coisas estão assim, ainda sem tempero, aguardando o toque final. E o grande problema está exatamente aí, em dosar os elementos que serão acrescentados e farão o gran finale.
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Conversa fiada à parte, Brasil, Argentina, Alemanha e Itália, em minha opinião, são os candidatos ao título mundial deste ano. Mas muita água vai rolar, aqui e lá, muito caldeirão vai ferver, com temperos, carnes e legumes, política, futebol e cinema.
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Um bom prato tem que ter gosto, tem que ter apelo, tem que ser saboroso, marcante, de dar água na boca. Os favoritismos, seja na campanha política, seja dentro de campo, seja na vida, às vezes surpreendem e dão lugar aos coadjuvantes, ou a um grande vilão. E são esses momentos surpreendentes que dão a liga necessária, o sabor especial ao prato, ao molho, ao viver.

sábado, 29 de maio de 2010

O beija-flor, a garota e a mãe

O vento entrou vagaroso pelo estreito vão da janela. Seu sopro foi o suficiente para fazer bailar a fina cortina de metal em tiras que ameaçavam dobrar, mas que logo entornavam para o lado oposto; isso não foi o suficiente para desviar a atenção de Amália, jovem garota de pouco mais de dezessete anos, que segurava as envelhecidas e enrugadas mãos de sua mãe.

Pelas veias da mão esquerda da velha senhora, a agulha e o soro lenta e mudamente gotejavam, se espraiando como se fossem tapas tentando cortar o líquido atrevidamente dentro do tubo. Estava razoavelmente quente, o suficiente para que Amália segurasse e espremesse um lenço umedecido entre a têmpora e a testa de Dona Amélinha.

Fazia uma semana que ambas estavam ali no leito do hospital, esperançosamente aguardando melhoras. Dona Amélia, 64 anos, encontrara há quase 20 anos a pequenina e rubra garota que fora abandonada dentro de uma igreja, por desconhecidos. Devota, fiel companheira do padre e das missas matinais, foi a primeira a encontrar o cesto de palha, com uma fralda de algodão desbotada e esfiapada. Aqueles olhos espremidos e chorosos expressavam aquilo que a voz, fraquinha, escapava perdida.

Sentiu, no exato momento em que suas mãos tocaram a pele rosada do bebê, que havia uma conexão ali, uma ligação súbita e única. Abraçou para si o cesto como quem agarra uma oportunidade, a de fugir da solidão, a oportunidade de não estar mais sozinha no mundo.

Num primeiro momento, pensou se a pessoa que largara aquela criança talvez estivesse por perto. Ou ainda que a criança tivesse sido roubada dos verdadeiros pais e, num ato de arrependimento, deixara a criança no interior da igreja.

Poderiam ser outras coisas, qualquer coisa, mas ela não pensou em nada. Caminhou, parou, agraciou a criança sem graça ou sorriso, depois continuou, inquieta. Chamou pelo padre, contida, mas o pároco não respondeu.

Dona Amélia era uma senhora viúva, na verdade ficara viúva aos trinta e cinco anos de idade, numa pequena cidade do interior da Bahia. Por ser a cidade pequena demais, e ela já não mais ser uma garota na flor da idade, pensou que um segundo casamento, naquela altura da vida, seria muito difícil, a talvez até inapropriado por aquelas regiões; por conta disso apenas passou a levar a vida.

Se gostava do então marido, isso ela seria incapaz de dizer. No dia seguinte ao velório do falecido, sentiu um aperto no peito; no meio da cozinha, enquanto a xícara de café esfriava calmamente, ela sentiu aquele aperto de quem está sozinho, de quem não divide a mesa para as refeições, do tipo que não divide o cobertor no meio do frio da noite, e esta perda e ausência lhe foi sofrível, profundamente. Se isso era amor, ah, Dona Amélia não se sentia capaz de dizer. Mas foi assim que a vida quis, foi isso que o destino lhe ofertou, e foi assim que Dona Amélia passou a viver.

Mas naquele novo momento diante do altar da igreja suas sofridas e calejadas mãos seguravam algo que poderia modificar a sua vida, talvez uma oportunidade única, a presença de alguém, de um outro alguém, não um marido ou algo do gênero, mas um filho, algo que até então nunca lhe fora possível, algo que nunca havia pensado, algo que nunca havia sentido.

Novamente chamou pelo padre Onófrio, e agora este a ouvira. Mais intrigado que ela, porém menos entusiasmado, o pároco pensou, pensou e pensou. Por se tratar de uma cidade pequena, eles não conheciam ninguém que recentemente dera a luz a uma pequenina garota naquelas condições, talvez alguém de outra cidade, ou de algum vilarejo, quem sabe alguma gravidez escondida, enfim, não se chegou a um acordo ou veredicto.

Por fim, decidiram que o correto seria aguardar, mas sem fazer muito alarde. Não queriam colocar em dúvida ou expor alguma família mais abastada da região, cuja filha tivera um desvio de conduta inapropriado àquela sociedade estreita e moralista, ou ainda que algum senhorio tivesse engravidado alguma empregada, que ameaçada agiu insanamente largando uma criança á mercê da vida alheia.

Mas prometeram um ao outro que acontecesse o que fosse, se alguém reclamasse pela garota, ela seria devolvida aos verdadeiros pais. Ao padre, cabia rezar pela pobre criança; já Dona Amélia, bem, esta levou a menina para a casa e passou a dar todo o cuidado e amor que uma criança merece.

E foi assim, sem mais nem menos, que o tempo passou; a criança ali foi ficando, e ninguém aparecera para reclamar nada. E conforme os dias foram passando, a senhora e a criança foram se embaraçando, se misturando, se tornando uma família.

Dona Amélia, uma senhora simples, que seria incapaz de descrever a paixão entre um casal, e mesmo sem ter gerado uma criança em seu útero, era capaz de expressar e explicar o sentimento de mãe. Descobriu que o amor nasce não na hora em que concebemos, geramos, enxergamos ou tocamos algo, mas sim no decorrer do tempo, na ocupação de um espaço dentro da vida que é capaz de preenchê-la, de resumi-la. Seu simples linguajar não poderia dizer belas palavras, mas seu renovado coração dava todo amor àquela criança, e não havia necessidade de maiores explicações.

Foi assim nas primeiras trocas de fralda, foi assim preparando a papinha, foi assim com o primeiro dia de aula, quando ela, com seu ferro a carvão engomara a blusa de Amália. Sim, a criança teve um nome, um registro, a ausência do pai, a ausência do luxo. Mas teve todas as outras coisas que jamais o dinheiro seria capaz de comprar, parcelar, negociar.

Dezessete anos passaram ligeiros, únicos, embolados, cercados de arranhões nos joelhos, dedos das mãos furados por espinhos da roseira, sorrisos por ver o beija-flor respirar no jardim da casa, a graça e o mistério do primeiro dente “caindo de maduro”, tomar sopa no inverno, usar meias de cores diferentes em cada pé pra dormir, olhar pelo furo do cobertor, enquanto o dia amanhece.

Agora ambas estavam ali, lado a lado. Amélia segurando a mão da mãe, cuidando, preocupada. A senhora quase tossia por completo, com uma exalação forçada, um peso incomum no tórax, um peso físico porém invisível, a perda do controle dos sentidos, da respiração, tudo talvez se resumisse a uma palavra: cansaço.

E não é o cansaço acumulado ao longo dos anos, mas um cansaço que chega sem avisar, no meio da semana, trazendo um desânimo. Os médicos chamam de pneumonia, descrevem certos sintomas e doenças nos livros, além de usarem outras combinações, que na linguagem rotineira do hospital parece normal, mas só quem está acamado pode de fato interpretar seu significado.

E assim, Dona Amélia já não se importava em tremer os músculos da mão. A vida, de certa feita, é injusta. Mas a vida, de certa feita, pode ser bela. Eram suas poucas e sábias palavras, pronunciadas somente a partir “de uma certa altura da vida”. Aquela noite foi longa para ambas, Dona Amélia fazia questão em não dormir, resistia, mas não conseguia. Tirava pequenos cochilos, delirava um pouco, produzia sons desconexos ou palavras soltas, e Amália sabia seus significados, interpretava-os a sua maneira.

Já na metade da madrugada, o calor vazando para dentro da janela, Dona Amélia retomou sua lucidez, de forma temporária e breve. Disse que estava cansada, que ia pra casa, e pediu a Amália que não deixasse a luz da sala ligada quando fosse dormir. Não dava pra desperdiçar dinheiro com a energia, enquanto estava dormindo e não precisava enxergar nada. E quanto ao pequeno jardim na frente da casa, que tinha a tal roseira fura-dedo, ah, deveria aguar tudo sempre, sempre. A beleza do jardim não consistia nas palavras, mas nos cuidados; a bela da rosa não vinha dos livros, mas vinha gratuita, da natureza, desde que cuidada de forma correta, adequada.

Quanto aos homens que um dia viriam a tirar o sono de Amélia, a garota não deveria deixar de dormir. Quem quer que fosse, se a amasse um dia, de verdade, não a faria perder o sono. “Nem por paixão”, questionou Amália à sua mãe. “Quem sabe”, respondeu a mulher, “quando você descobrir, me avise, menina”.

E depois a mulher mais velha dormiu, profundamente, para sempre. A cortina de metal tremeu, contorceu, vibrou, zuniu, esticou e depois aquietou. Somente o som do vento vazando pela janela era ouvido. Amália, ainda segurando a mão da mãe, viu distante um beija-flor bebendo das flores, se embriagando. Talvez fosse surreal, talvez não fosse, o que importava naquele momento? Com o lenço umedecido, acariciou a testa da velha senhora. A noite continuou, sorrateira, triste ou feliz, não importa, apenas a noite continuou.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Palmeiras: um caso de péssima gestão!


Neste momento o time do Palmeiras tenta encontrar uma possível negociação para Diego Souza. De ídolo da torcida à melhor jogador do campeonato brasileiro de 2009, o jogador agora se torna o novo alvo da diretoria, como forma de resolver os problemas que o time tem no momento.
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Na verdade, fica nítido que o time passa por um período de péssima administração. A incompetência dos diretores termina muitas vezes em atos impensados e arrogantes, quando tentam demonstrar autoridade e poder, mas na verdade demonstram o quanto não estão preparados para lidar com uma administração profissional no esporte.
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Depois de tentarem montar um time com jogadores de expressão, contrataram o técnico Vanderley Luxemburgo a preço de ouro. O técnico que outrora havia se tornado um grande vencedor no clube, chegou com grandes expectativas, no ano de 2008.
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Em 2009 as coisas não estavam saindo como o planejado; um incidente envolvendo o atacante Keirrison e o técnico terminaram por demitir Luxemburgo, enquanto que o atacante seguiu pra Europa.
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Naquele momento a direção do time já demonstrava que não tinha capacidade administrativa. Então vieram momentos de indecisão, a fase do interino técnico Jorginho, e em seguida a contratação de Muricy para comandar o clube, na expectativa de ser campeão brasileiro.
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Junto do novo técnico, uma grande promessa de gols, Vagner Love, repatriado da Rússia. Uma negociação já tentada há muito tempo. Mas novamente as coisas não aconteceram como o planejado. Para alguns jogadores considerados mais importantes no time, foi concedido aumento de salário, ou ao menos uma promessa para tal. Com uma folha de pagamentos inflada, o time mergulhou em dívidas, tudo para tentar um título e justificar contratações e gastos milhonários.
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Pouco tempo depois, as divergências e incompetências começaram a afetar o time. De principal candidato a campeão, o time estranhamente passou a jogar mal, e percebia-se que a situação interna não era das melhores.
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E pra esquentar ainda mais os nervos, uma briga em campo entre o atacante Obina e o zagueiro Maurício, ambos do Palmeiras, fez com que a equipe, precipitadamente, demitisse os dois jogadores imediatamente. Ao invés de tentar criar um ambiente menos hostil, a diretoria terminou por enterrar os animados ânimos do time. Este ato apenas revelou o clima em que estavam vivendo todos.
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E como numa avalanche de erros e decepções, o time que mais havia liderado a competição ao longo do campeonato, passou a sofrer derrotas e não conseguia mais do que empates. De líder, foi despencando e se tornando um time fraco e abatido.
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No fim das contas, a decepção final: nada de campeonato; e, pra dar um ingrediente novo a história, o velho boato de que o Palmeiras não pagava os salários em dia. Logo a torcida se manifestou contra tudo que estava acontecendo, e o ambiente piorou.
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Novamente problemas, uma suposta agressão e ameaça por parte da torcida ao atacante Vagner Love fez com que o jogador dissesse que não tinha mais ânimo para continuar no clube. Precocemente, ele pediu para ser liberado do time para ir jogar no Flamengo. A diretoria palmeirense o liberou, e os rubro-negros agradeceram muito. Lá, ao lado do jogador Adriano, o atacante tem feito gols em quase todas as partidas, e parece estar muito satisfeito.
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Desconfia-se que o que fez Vagner Love sair do Palmeiras foi a falta de dinheiro para honrar os pagamentos dos seus salários. A história da agressão e tal, talvez tenha até acontecido, mas nao foi o que determinou o desanimo do atacante em continuar no Parque Antártica. Tanto que, Vagner Love ao deixar o clube para ir para o time da Gávea, "abriu mão de dívidas que o clube alvi-verde tinha com ele".
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Provavelmente o mesmo esteja acontecendo com Diego Souza no momento. Semana passada, o presidente do clube teve sua prestação de contas reprovada. Ao mesmo tempo, sabemos que Diego é o jogador mais valioso do time, e o que tem um dos maiores salários. Logo, se livrar dele pode resolver alguns problemas imediatos, além de colocar algum dinheiro nos cofres do clube.
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Também se sabe que o time está com os pagamentos dos salários atrasados, e também é possível constatar que a atual administração tem o hábito de gastar demais, e depois encontra dificuldades em honrar o que assumiu, nos prazos em que assumiu. E não dá pra aceitar a desculpa que em todo clube é assim. É muito simples, é necessário gastar aquilo que está disponível para se gastar, e não fazer atos impensados, que muitas vezes são feitos para mascarar outros tipos de atos.
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Provavelmente, esta sucessiva seqüência de erros administrativos está cada vez mais prejudicando o time, que não deverá fazer um bom campeonato brasileiro. Acho que o atual presidente deveria entregar o cargo, e uma nova diretoria deveria ser formada; a administração do time deveria ir para as mãos de profissionais experientes, e o atual técnico deveria ser substituído por alguém que já tenha comandado um time de futebol do tamanho do Palmeiras.
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É lamentável observar o que está acontecendo, ver o declínio de um time que bem poderia estar conquistando títulos, ou, pelo menos, ser competitivo. A péssima gestão do Palmeiras poderá trazer surpresas ainda mais desagradáveis. O tempo irá nos mostrar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

3a Etapa de Fórmula 1 - Sepang


A terceira etapa do campeonato de fórmula 1, disputada no autódromo de Sepang, na Malásia, terminou com a vitória de Sebastian Vettel, fazendo dobradinha da Red Bull com Mark Webber em segundo, e ainda com Nico Rosberg fechando o pódio, em terceiro.
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Bem verdade que a dobradinha da Red Bull poderia ter sido atrapalhada acaso as Ferraris e as Mclarens não tivessem largado em posições bem inferiores, mas o fato é que o campeonato ficou embolado.
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Kubica, da Renault, novamente surpreendeu, e terminou a corrida em quarto lugar, seguido por Adrian Sutil, Lewis Hamilton e o brasileiro Felipe Massa. Button, ficou com a oitava posição, enquanto que Alguersuari e Hulkenberg fecharam as dez primeiras colocações e pontuaram. Michael Schumacher mais uma vez decepcionou, e não terminou a corrida.
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Momentaneamente, Felipe Massa lidera, com 39 pontos, seguido pelo companheiro da Ferrari, Fernando Alonso. com 37. O espanhol teve o azar de ver seu carro quebrar na última volta, enquanto Felipe Massa terminou em sexto. Na classificação das equipes, a Ferrari lidera, seguida pela Mclaren e Red Bull.
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Estou ouvindo e lendo muitos comentários a respeito da Fórmula 1, mas mantenho meu pensamento inicial. Como vencerá o piloto e a equipe que mais fizer pontos, creio que Ferrari e Mclaren ainda são favoritas, seguida pela Red Bull. Aposto mais na Ferrari que nas duas seguintes, e se o campeonato terminar dessa forma, não será nenhuma surpresa, pelo contrário.
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No mais, somente especulação. Vamos aguardar mais três corridas pra tirar uma média desse início de campeonato. Quem sabe após umas seis etapas, a situação desenhada se mude. Até lá, não creio em surpresas ou favoritismo da Red Bull.